Negócio rentável com qualidade de vida: a equação possível

empreendedorismo

Inspirada na educação a distância empresária faz gestão a distância com sucesso

Ana Maria Xavier Alves. Sócia-Diretora da Autobat. Bacharel em Direito pela UFPA. Bacharel em Administração pela Faculdade AIEC.
Revista Ideias em Gestão.
Julho/2011.

Neste artigo, partilho minha história com vocês, leitores, com a intenção de mostrar que apenas o que não queremos é que pode ser chamado de impossível. Sou empresária do ramo de autopeças em Marabá, Pará. Aos 20 anos fui levada a esse ramo pelos que me precederam: minha mãe e meu sogro. Eles se tornariam, para mim e para meu marido e sócio, parceiros e exemplos que levaremos por toda a vida.

Fundamos a Autobat em fevereiro de 1998. Pela primeira vez tínhamos em mãos uma organização que precisava ser gerida e dar frutos. O trabalho era árduo. Por vezes, vacilávamos, achando que não daríamos conta.

Mas, com persistência, beirando a teimosia, prosseguimos e enfrentamos os obstáculos, firmando aos poucos nosso nome no mercado concorridíssimo onde atuávamos.

Minha formação em Direito me limitava no ambiente empresarial. Afinal, advogados são especialistas em resolver problemas, e isto é o que todo empresário deseja evitar. Mesmo sem conhecimentos técnicos de gestão, seguimos em frente alavancando a carteira de clientes e aumentando os lucros. Vieram as filhas e, então, mais do que nunca, passamos a precisar muito daquela empresa. Fazíamos todo o possível para que ela prosperasse, adequando empiricamente a gestão, na base do acerto e erro.

Minha irmã Silvia, em 2004, entrou na Faculdade AIEC. Percebendo a importância das ferramentas que o curso de Administração de Empresas oferecia, ela me convidou insistentemente para que eu também fizesse o curso. Resisti o quanto pude, até que decidi voltar a estudar. Já no primeiro encontro senti que dali pra frente nada seria como antes. As conversas, as atividades em grupo, os colegas com experiências e habilidades tão diversificadas, tudo isso somaria à minha formação. Lembro que, na primeira semana do curso, estudando o conteúdo on-line, pensei: “Fiz e faço tudo errado na minha empresa…”. Mas os estudos também me fizeram perceber que eu poderia modificar os processos que não estavam adequados.

Passei, então, a aplicar na empresa o que estava aprendendo na AIEC. E as coisas realmente começaram a fazer sentido. Melhoramos inicialmente nossa gestão de pessoas, que é sempre um ponto nevrálgico em qualquer organização. Daí em diante, todo o universo de como administrar se descortinou para nós. Não vou dizer que foi fácil, ou que não demandou nenhum esforço, mas posso afirmar que valeu a pena cada mudança que fizemos.

Amor à primeira vista

Marabá, cidade onde temos nosso negócio, é uma cidade promissora em termos econômicos. Teve, porém, seu crescimento acelerado de forma desordenada, o que acarretou diversos tipos de problemas, dentre eles, o mais preocupante: a falta de segurança. Fomos assaltados e percebi que naquela cidade eu não poderia viver, pois o medo é uma das forças mais poderosas do mundo: ele te paralisa e escraviza, e, quando percebemos, a vida passou por nós. Não esperei que o medo tomasse conta de mim e busquei alternativas de vida fora dali.

Saímos de férias em dezembro de 2008 e fomos conhecer a Serra Gaúcha. Amor à primeira vista soaria piegas, mas foi exatamente isso que sentimos. Pensei: “Aqui eu viveria!”, e tive apoio da família. Fazíamos planos para, quem sabe, dali a dez anos irmos morar em Canela, cidade dessa região do interior do Rio Grande do Sul. Algo dentro de mim pulsava e vibrava cada vez que ouvia falar na cidade que eu havia adotado como minha. Os primeiros meses depois das férias foram penosos. As comparações surgiam inevitavelmente, e eu sabia que precisava encontrar uma maneira de ir embora.

O Pará se situa próximo à Linha do Equador, portanto faz calor todos os dias do ano. Precisávamos conhecer o frio da Serra Gaúcha. Convenci meu marido a irmos em julho, época de inverno, para sentir na pele as temperaturas negativas. A crise financeira, porém, chegou com força em nossa cidade e, com o baixo movimento do comércio em geral e da nossa empresa em particular, tornou-se inviável uma viagem desse porte. Mas eu precisava ir. Tive, então, uma ideia que me pareceu louca e genial ao mesmo tempo. Resolvi vender o que estava abarrotando o meu armário e que eu pouco utilizava.

Começou aí a lição do desapego. Em dez dias vendi tudo e faturei um montante para as despesas da viagem. Com os armários vazios e os corações cheios de esperança, chegamos dia 2 de agosto de 2009 em Canela.

Buscamos entender a cidade com olhos de morador e não de turista. Fomos aos supermercados, escolas, imobiliárias e andamos nos bairros mais distantes. O desejo ardente de viver ali o resto de nossas vidas só crescia. Só não sabíamos como isso ocorreria.

Voltamos para casa e iniciamos uma maratona a fim de preparar nossa empresa para atuar sem nossa presença física. Mais que nunca, os conhecimentos que vinha adquirindo na faculdade iam alicerçando cada alteração que fazíamos na gestão da empresa. Nossa meta principal era torná-la administrável a distância.

As dúvidas, como nos disse Shakespeare, são traidoras, pois nos impedem de tentar por medo de errar. Por isso, refutávamos qualquer situação que, de alguma maneira, fosse fonte geradora de dúvidas. E, para cada incerteza que surgia, eu repetia, quase como um mantra: “Se posso estudar e, o mais importante, aprender a distância, por que não posso administrar minha empresa a distância?”

O processo foi sendo construído baseado em tudo que havia aprendido e, principalmente, na vontade avassaladora que desse certo.

Empresa organizada, pessoal motivado e comprometido, softwares e toda a parafernália tecnológica em pleno funcionamento, migramos para o Sul, chegando em Canela no dia 7 de janeiro de 2010. A cidade que havia nos encantado nos acolheu de uma forma mágica.

Controles e acompanhamento

A partir daí, tudo foi adaptação. Nós sempre havíamos sido sujeitos ativos do processo produtivo da empresa. A 3,3 mil quilômetros da nossa sede, era necessário criar mecanismos que nos convencessem de que era possível ser produtivo apesar da distância. Disciplina e comprometimento são fundamentais nesse formato de trabalho. A familiaridade com o sistema veio aos poucos.

É necessário esclarecer a prática desse modelo administrativo, que nos possibilitou realizar nosso sonho: utilizamos um software de gestão específico para nosso ramo de atuação, desenvolvido por uma empresa local, que nos permite o controle do estoque, vendas e caixa. Utilizamos, ainda, o programa logmein, que nos disponibiliza acesso irrestrito às máquinas da empresa,nos permitindo acompanhar toda movimentação em tempo real. Com oito câmeras ligadas 24 horas por dia, vemos a loja inteira e sabemos todas as operações que estão sendo realizadas. Dedicamos, em média, cinco horas diárias ao acompanhamento virtual da empresa. Conversamos diariamente com alguns colaboradores via MSN e e-mail.

Temos em nosso quadro oito funcionários, todos engajados no sucesso do negócio. São dois gerentes: José de Ribamar dos Santos Sousa, responsável pelo setor de prestação de serviços, e Gervázio Baía de Oliveira, que responde pelo setor de vendas de peças. Mais que pessoas competentes e de extrema confiança, são profissionais brilhantes, que acreditam na empresa e sabem da sua importância nessa gestão inovadora.

O controle financeiro, as compras e a relação com fornecedores são feitas por nós. Através de relatórios, fazemos os pedidos das peças que precisam ser repostas e recebemos por e-mail as duplicatas a pagar.

Fazemos todo controle bancário com o auxílio de um gerenciador financeiro. Fechamos diariamente o caixa da empresa e recebemos um arquivo em PDF, gerado pelo próprio sistema, com o detalhamento das vendas do dia, além de todos os cheques recebidos e os comprovantes de cartões de crédito escaneados.

Escolha certa

Um ano e meio depois da implantação da gestão virtual, comemoramos vitórias em nível de produtividade, de relacionamento com os colaboradores e de maior controle dos processos.

Havíamos planejado visitas mensais, que depois seriam trimestrais, mas que, na verdade, acabaram sendo semestrais, haja vista a real eficácia da organização nos moldes de administração a distância.

Hoje, temos qualidade de vida aliada a um negócio rentável, o que nos permite viver e trabalhar como qualquer outra pessoa, com o diferencial desse trabalho poder ser feito em casa, a mais de 3 mil quilômetros de distância do estabelecimento. Essa forma de gestão desperta curiosidade e, até mesmo, desconfiança por parte dos menos afeitos à tecnologia.

“Sortudos, corajosos, estúpidos, irresponsáveis, loucos…”, já fomos tachados de tudo, mas seguimos adiante com o coração tranquilo e a certeza de que fizemos a escolha certa. Acreditamos, realmente, que nosso sucesso ou nosso fracasso reside nas escolhas que consciente ou inconscientemente fizermos. Gosto de citar Oscar Wilde, que disse: “Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe!” Eu escolhi viver e afirmo a cada um de vocês que sempre é tempo de fazer as mudanças necessárias que farão sua vida valer a pena.


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